Como a planta murcha que pede socorro
não quero o sol
já me basta de fotossíntese
traga o alimento escasso
em síntese das águas doces
umedece minha terra
retira meus vermes
concreta minha vida
num casulo de plástico
me deixando solitário no canto
sobre a mesa
com encanto de enfeitar
os que vem e os que vão
voam e rastejam
procurando carinho
mais do que a água
menos do que a tristeza
que amarga a solidão do casebre
de tantos quartos inúteis
que a vida se esconde por pó
me vigia como ao bêbado e sua muleta
escora do pêndulo andante
firme na mão molhada
que me trará de volta, a vida
elimina minhas folhas amarelas
rabiscadas pelo descaso
para que eu floresça de novo branco
e servir de deslumbre
captado pelas lentes da sensibilidade eletrônica

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