quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Estranho

E o que é estranho
causa estranheza
ou curiosidade por não conhecer
luzes cobertas
ruídos estranhos
visões diferentes
estranhas
entranhas
montanhas ao longe
pensamentos por perto
criados
instigados pela noite 
insonia 
estranha
façanha da mente
causa estranheza
não tenho certeza
e o sol não aparece
aos olhos do estranho
e as vezes suponho
o que é estranho?

terça-feira, 29 de outubro de 2013

casa vazia

Vago em meus pensamentos 
como vago na casa vazia
pois a busca sempre bate na parede sem porta
e as que existem 
faltam-lhes maçanetas
ou as que as têm
suas fechaduras já se enferrujaram
os corredores são longos
corro para chegar ao fim
mas dou de cara ao espelho
como um buraco do tempo
mas percebo que o verde dos olhos são os mesmos

dia do livro

leio
e onde se vai
letras, parágrafos, 
para todos
que querem por perto
ao disperto noite a dentro
no centro 
do meio das discussões
ruindo a mente
perfurando o que não se conhece
percebe
carece de mais aos montes
na estante
espalhados e perdidos
vários livros
capas 
e rabiscos
pra lembrar ou aprender
ler e reler
tantos contos
contas
causos e prosas
inseridos no papel
no digital
à um milimetro da mão
e na imensidão dos olhos
que viajam nas estradas
paralelepípedos de tinta
nos caminhos lidos
nas páginas de cada livro

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Amanhã

Um dia quis brincar com a manhã
mas o amanhã ainda não chegou
caminhei sozinho sob meu boné azul
e o sol mesmo da manhã não me ofuscava
já ouvi sons de carros que se perdiam apressados
e nos trilhos de metal forjado se passavam vidas
das janelas as paredes passavam em relâmpagos
e fugi na multidão
então os passos ganharam flores nos caminhos
e meus sapatos se manchavam com suas cores
que as arvores derramavam nas primaveras
o sol hoje se reflete nas minhas lentes
que melhora a visão dos meus passos
o amanhã fica mais distante
como as palavras que vagam de meu papel
perseguidas pela caneta que nunca fica sem tinta
na poesia que de mim surgirá
assim vou acordar de cada insônia
entre sonhos e delírios cantantes
como o zumbido que não foge de meus ouvidos
e a minha música que encanta os corpos
na melodia tenaz com sua notas quebradas
de cada início do disco que não tem fim



terça-feira, 22 de outubro de 2013

descontração

a criança ri 
pois o sol brinda o dia
e tudo que se vê é apenas céu 
com nuvens brancas que se misturam aos pássaros
e seus cantos diversos
como música para os ouvidos que podem ouvir
os pensamentos vagam entre o vento 
e o tempo que passa devagar
no vai e vem na rede pendurada na varanda
que o embalo faz acalmar o corpo
e a mente que procura palavras 
como o peixe que teima em fugir
e a pescaria fica apenas nos pequenos
que insistem por poucas iscas
nas àguas que trazem paz
e elimina o cansaço
que se esvai olhando as estrelas companheiras
da lua redonda que se esconde por detrás da mata
como a tranquilidade da criança que dorme tranquila no berço
sem pensar no tempo que se esvai
com seus dias rotineiros das flores
que mesmo sozinhas vivem
surpreendem os mais incrédulos por sua beleza
a vontade de como sempre estar
e a esperança de tempos assim
descontraídos



terça-feira, 15 de outubro de 2013

amizade

De repente
o céu se abriu
e o que se viu foi um azul brilhante
as nuvens atentas saíram da frente
para não atrapalhar a visão
e o corpo se satisfaz
o calor gratificante
que o glorioso sol presenteou
e aqueceu a alma
daquele que soube ver
e a vida como nunca inspira pensamentos
sentimentos de alegria mútua
com as companhias que engrandecem a alma
preenchem os caminhos que se cruzam
em busca de um sentido maior

ensinadores

de todo mundo que vi
tem gente que nunca mais veremos
mas o que deixa fica
na retina
no sentimento
e na memória
lembranças do pó do giz
do quadro negro que era verde
as vezes do puxão de orelha
ou congratulações pelo mérito máximo
nas palavras que ainda vagam na mente
instigantes ao saber mais
trazem à mente o prazer do conhecer
e o semblante de satisfação
dever cumprido ao entregar o canudo
agradecer seria pouco
pois a gratidão já têm
de cada rosto surpreso
que descobre algo novo
conto novo
e a conta que deu certo 
por fim nas equações da vida
e por todas as vidas
seria incomum
viver e não compreender 
pois a importância do mestre
professor, tia, dona, ou outro nome 
todos devem préstimos
aos nossos ensinadores

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

dias

lá vem o fim de tarde
o sol se põe 
sua luz vai fugindo da janela do oeste
os pássaros também fogem pros ninhos
como os carros pras garagens
sem vantagens
o dia acabou 
sem fazer nada na varanda
apenas os ciscos são colhidos do chão
mas as flores sorriem
pela banho do fim do dia
e presenteia com seu perfume

acabou o dia
fico em busca agora de estrelas
que brigam com os postes 
pois suas luzes as ofuscam
sem nuvens no céu
fujo e as contemplo
saúdo as damas da noite
sob minha cabeça dolorida
martelos de pensamentos faz latejar
sem respostas por mais um dia

a noite vem com o frio
e assobio do vento
que para mim canta
para outros chora
talvez o vento leve um pouco de palavras
mas os ouvidos querem mais
a escuridão é a ausência de luz
esta que ilumina o trajeto da caneta
e manca no papel
mais um dia que se fecha
novo ciclo que se vai
nova meia noite
e novo dia que brinda no leste

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Paciência

Hoje quero aumentar a paciência
olhar as nuvens
saber que um dia elas também se vão

Hoje espero aumentar a paciência
pois até o olhar frio
com sapiência pode se tornar tenro

Hoje a vida dará mais paciência
e sentado na varanda pensativo
verei as flores surgirem no jardim

Hoje vou explicar a ter paciência
com o coração apertado 
rezar para que ele suporte as pedras

Hoje nem as palavras duras tirarão a paciência
e meus dias seguiram constantes
esperando os sorrisos com paciência