sábado, 28 de março de 2015

dias de outono

O ar do outono é único
invade as narinas
oxigena o cérebro
traz a tona à mente
lembranças
foram tantos outonos
e a primeira lua
que cresce e aparece
na companhia de sua estrela
foge do horizonte vermelho
e mergulha no azul
que aos poucos escurece
na dança do cair da tarde
nuvens molduram um quadro diário
e brincam
hora são coelhos, hora são dragões
basta imaginar
com os pés no chão
sente-se o perfume dos tempos
se anuncia de novo
como cada estrela que vem brincar
como cada aluno que chega 
para aprender com as palavras
ou com os ares que se percebem
pessoas que conversam
vidas que não olham para o céu
não sentem o ar
não vivem
rastejam seus dias de outono

domingo, 22 de março de 2015

Torpor

Me entorpeço nesta canção
que funde os sentidos e a mente
vários olhares fixos 
mãos hábeis que montam e desmontam
peças, quebra cabeças
rotinas
e esteiras que não param
surgem piramides quadradas de caixas sobrepostas
sons de vozes misturadas aos rangidos
passos de caminhos desencontrados
rodas sem rumo
dia após dia
com frases que se perdem nas ordens
perdas e ganhos
lucros e faltas
em horas que se passam 
ponteiros rastejantes dos ciclos
morteiros punitivos 
fugas da visão cansada
e dos sentidos que procuram
mas não acham
ficam sem foco
mas se concentram cegas
objetivos nulos 
anulados pelas palavras
ações adversas
dispersas no vácuo 
perdidas no limbo da solidão mental
e nos versos da poesia rabiscada
não na folha branca
mas na tela negra viciante​
pede palavras
que não param de inundar as teclas
os dedos
e o continuidade dos pensamentos