domingo, 31 de agosto de 2014

Planta murcha

Como a planta murcha que pede socorro
não quero o sol
já me basta de fotossíntese
traga o alimento escasso
em síntese das águas doces
umedece minha terra
retira meus vermes
concreta minha vida 
num casulo de plástico
me deixando solitário no canto
sobre a mesa
com encanto de enfeitar
os que vem e os que vão
voam e rastejam
procurando carinho
mais do que a água
menos do que a tristeza
que amarga a solidão do casebre
de tantos quartos inúteis
que a vida se esconde por pó
me vigia como ao bêbado e sua muleta
escora do pêndulo andante
firme na mão molhada
que me trará de volta, a vida
elimina minhas folhas amarelas
rabiscadas pelo descaso
para que eu floresça de novo branco
e servir de deslumbre
captado pelas lentes da sensibilidade eletrônica

sábado, 30 de agosto de 2014

Mentiras

Minha mente me engana
criam sons que não ouço
vejo meus fantasmas nas sombras das paredes
estrelas descem do céu e me visitam
sinos bradam dentro de meus bolsos
acordes agudos gritam pela casa
brincam com discos que rabiscam as agulhas nervosas
garrafas dançam sobre as mesas
pés salpicam danças contentes embriagadas
espinhos ferem os passos calçados
meias mancham os caminhos a pé
canetas brincam de criar o mesmo
livros voam pelos olhos
cafés ecoam nos ares das manhãs
coração jovem demais para não bater
ecos que se fundem nas ondas invisíveis
saudades das palavras que se vão
sóis de todos os dias
luas para iluminar cada gota d'agua
montanhas que vigiam
amigos sorriem com as palavras
crianças com os abraços
velhos apenas com os olhares
e essas células que não tocam
as dores que não mentem
os joelhos sempre vão doer
e meus dias vão respirando pelos ares





domingo, 24 de agosto de 2014

ipês

Encontrei pelas ruas
àrvores amarelas
colorindo os caminhos
encantando os olhares atentos
que disputa atenção
com o azul do teto do mundo
e o verde dos olhos 
que logo crê
pois os espalha pelas ruas
sons que enchem os ouvidos
brincam com os acordes distorcidos
sem porquês
perto dos ipês
cantando como os pássaros
que bem te vis e bem te vês
pois alguns que os veêm
o rouba suas imagens
para que fiquem eternas
nas máquinas que guardam seus segredos
suas belezas de momento
de dias que se vão semanas a fora
com suas folhas que caem 
pintam o chão
as calçadas e seus passos 
que dia após dia
buscam seus conhecimentos
suas canções
e seus ipês amarelos




domingo, 3 de agosto de 2014

olhares

O olhar
vi como nunca 
as janelas da alma
o tempo contado em regresso
memórias da vida
trabalhos criados
para futuros
que incertos
pensam se existirão
com seus números sequenciados
modos ultra passados
em um algum dia
ou em um outro lugar
sob o mesmo céu
para nova sede
de bases criadas
idéias inventadas
pela necessidade
e desejo
do belo
e bem feito
do uso contínuo
melhoria contínua
seguindo por suas ruas
seus passos
e suas asas
que voam para o amanhã
de um trabalho
que o tempo contará
pela janela do olhar
molhado pela paixão