quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

vivências

Trancafiada a razão incomoda
quer romper as grades
atravessa peça a peça
o vale de montanhas rochosas
corre em direção do sol à oeste
e grita a liberdade do pensamento contínuo
que viaja em ondas da rede imóvel
onde os gatilhos disparam 
pontos em teclas de letras
estimuladas pelos dedos cerebrais
que tornam a fugir do seu mundo
em vão
se esconde embaixo do tapete
como o inseto infortúnio
e a poeira cósmica que cobre o assoalho

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Rotinas

As rotinas poderiam mudar seu curso
o verso tornaria o inverso do papel
nuvens sem chuva que o encobrem
e não o deixa ver o que há no céu
pois no chão a planta murcha
falta água dos olhos esverdeados
e as do reservatório se vão pelos ralos
tentando levar a sujeira dos pisos
a sobra do jantar
e a fruta que sozinha apodrece
ora por não satisfazer
outra pela fome que foi saciada pelos pássaros
que da gaiola ouve risadas imbecis
de mentes preguiçosas que leem 
mas não entendem o que está escrito...
...murmúrios idiotas que circulam as rotinas
com suas nuvens secas
e o amargo do café
que sustenta a alma e a calma

domingo, 9 de fevereiro de 2014

o sol

Insensato o discurso do sol
sua rotina diária
não me olho no espelho como antes
e o que vejo não conheço
me surpreendo
meus próprios olhos vermelhos
a face de hoje ainda não chegou
preso pelas grades dos dias que se arrastam
quebra-cabeças
de peças em peças
movidas ao móvel ou auto
seus raios invasivos ofuscam os passos
que em círculos buscam eliminar mais que gorduras
e o peso das páginas embebidas na cerveja
os espaços se preenchem com a música
ouvidos surgem por todas as paredes
olhos vasculham as nuvens em busca das figuras
que a mente criará 
o sentidos todos afloraram 
e os arrepios são inevitáveis
pois o cérebro brinca com o real
o sol de cada dia 
dia após dia
aduba as idéias que geram vida
causa energia
e ajuda a caminhar em busca de seus raios
e da canção que move os passos

Lagartas

de onde vem essas lagartas?
rastejantes quintal a fora
num momento está aqui
no outro já foi embora

correndo em circulos
encontro a lagarta pelo caminho
e os pássaros só observam
mesmo pisando no espinho

enfim para onde vão as lagartas
fugidias das águas que as levam
sem palavras, sem som, sem cascas

pelo chão e olhando pra cima
seu trajeto aos poucos se entregam
sua vida brincando com a rima