A chuva cai
encharca o chão maltratado
preenche as fendas rachadas pelo tempo
e traz esperança da colheita boa
Só o barulho entorpece
as telhas gritam seu atrito
como marteladas diminutas
em milhares de gotas vindas do céu
O pó se faz lama
preenche o caminho
a caminha da encruzilhada
por destinos obscuros e sem rumos
A enxurrada lava os sapatos
leva com sua força até as sílabas
arrancam os números das folhas
derrete os desejos dos dias contínuos.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Rotina
Rotina
sequência contínua
marcada pela contagem inventada
ponteiros e numerais que se deslocam
no vácuo da rotação
Rotina
imagens forjadas
nas rotas de veículos das mesmas ruas
vagando sobre as pedras
e areias unidas por décadas
Rotina
passos apressados
infundados na vontade de seguir
para onde a roda impõe
e o cérebro atende
Rotina
falsos sorrisos por palavras vagas
imobilizados em fotografias divulgadas
na ilusão dos dias
todos iguais com o mesmo sol
Rotina
felicidades compartilhadas
abraços imobilizados para aquele fragmento de segundo
desfeitos rapidamente ao clique do botão
costumeiros de mais uma prova da vida inexistente
Rotina
excesso de ausências
de razão viver pelas próprias pernas
por caminhos que levariam sem medo
à tranquilidade ilusória
Rotina
pilhas de desejos exibidos para criação
de mais uma noite vagando
perdida nas palavras que morrem no travesseiro
repetidas no hábito da rotina.
sequência contínua
marcada pela contagem inventada
ponteiros e numerais que se deslocam
no vácuo da rotação
Rotina
imagens forjadas
nas rotas de veículos das mesmas ruas
vagando sobre as pedras
e areias unidas por décadas
Rotina
passos apressados
infundados na vontade de seguir
para onde a roda impõe
e o cérebro atende
Rotina
falsos sorrisos por palavras vagas
imobilizados em fotografias divulgadas
na ilusão dos dias
todos iguais com o mesmo sol
Rotina
felicidades compartilhadas
abraços imobilizados para aquele fragmento de segundo
desfeitos rapidamente ao clique do botão
costumeiros de mais uma prova da vida inexistente
Rotina
excesso de ausências
de razão viver pelas próprias pernas
por caminhos que levariam sem medo
à tranquilidade ilusória
Rotina
pilhas de desejos exibidos para criação
de mais uma noite vagando
perdida nas palavras que morrem no travesseiro
repetidas no hábito da rotina.
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