domingo, 15 de junho de 2014

fugas

Vejo nos olhares
que vago a noite
luzes perdidas dos desencontros
músicas mal ouvidas
ruídos de um silêncio
que atormenta a alma
eternizado pelas gravuras
na parede
no painel
nos olhos através dos vidros
verão melhor que ontem
pois vagavam pelas ruas solitários
sem estrelas
mas com faróis
que se atropelam
incansável 
debruçado sobre o copo
sob o aspecto da saudade
das luzes
para encontrarem seus cúmplices
guia-los até os lençóis 
amarrotados desde a manhã
isolados dos afagos
que fugiram dos braços
acompanham as pernas
fugidias dos olhares
o medo de sempre
para que a noite não termine


jornada

Ao longe
vejo a montanha 
verdejante
pelas ruas 
caminhos iluminados
dias assim
sol
e nos brinda com seu calor
dias hoje diferentes
novas folhas
umas caem dos galhos
outras ainda brancas
respiração inspirada
na brisa da manhã
nas orações que dançam na mente
palavras proferidas
pedem calma ao coração
que vez sim
outra não
acelera
descompassado
desmarcado
com os dias que se vão
junto com seu sol
e seus raios
que se fecham vermelhos
no oeste de todos os tempos

domingo, 8 de junho de 2014

razão fugidia

Trancafiada 
a razão incomoda
quer romper as grades
atravessar o vale de montanhas rochosas
peça a peça
e gritar a liberdade do pensamento contínuo
correr em direção do sol à oeste
que viaja em ondas da rede móvel
onde os gatilhos disparam em teclas de letras
estimuladas pelos dedos cerebrais
que tentam fugir de seu mundo
se esconde embaixo do tapete
como o inseto infortúnio
e a poeira cósmica que cobre o assoalho
fuga perdida a da razão
sons e imagens de todos os mundos
palavras e pássaros voadores rumo ao horizonte
indo embora
com os raios de sol
as luzes do dia
e a razão fugidia