domingo, 26 de janeiro de 2014

beija flor

naquela manhã 
surgiu um beija-flor
sem ver suas asas batendo
entrou
e com seu bom dia
disse que o céu estava azul
o sol já se mostrava todo
bailava com as nuvens de algodão
e suas formas mais variadas
mas vi o elefante

antes de partir 
beija-flor onde irá
se volta pode chegar
mesma mesa
cadeira te esperando
prosa sempre aposta
conversar de ontem
e de sempre
mas fique para provar o café

quando for beija-flor
mostre as asas
quero ver as cores invisíveis
o zunido punido pelo tempo
que te leva pra longe
mas mostre seu olhar
que de verde chorarei a saudade
da visita que espero de novo



Madrugadas

Na madrugada
ruídos chegam aos meus ouvidos
pareço estar em outro mundo
não percebo mais a diferença entre abrir os olhos ou fecha-los
as imagens
pessoas invadem a mente
realidade e imaginário pertencem ao mesmo plano
não sei dizer se estou mais lúcido quando estou dormindo ou quando estou acordado
dias que ainda não chegaram invadem a mente pensante
canções e vozes flutuam no ar
ondas invisíveis 
planos de fundo de um zunido incessante
entorpecente cerebral
por vezes inspira
outras faz cambalear
como a bebida vermelha que amarga o paladar
mas adoça os sentidos
com sua música 
acordes rifados das guitarras distorcidas 
e batidas mixadas pelos dedos certeiros nos botões
sonho difícil de acordar

restos do final

e quando acabar
direi sem prantos
palavras cantadas
de um cotidiano contado
pois os dias se seguirão intrépidos
indo e vindo
acabando em seu inicio
mais
e mesmos
o ano todo
com o sol
a vida
e a lua
que vem do monte
aos montes de verde
de raiva
pregado na parede
inerte aos olhos
ofuscados do mundo lá fora
brigando com a sombra
ou com a luz?

domingo, 12 de janeiro de 2014

vozes

vozes ecoam
pessoas que viriam
por ações sensatas
pensadas
prensadas
na forma da escolha
de dias desiguais
para diferir as nuvens com suas formas,
desenhos do vento
que levam palavras
e o perfume do incenso 
sândalo
que o machado cortou
e prediz novos contornos
sons inesquecíveis
música
para quem sabe ouvir
poesias
para quem sabe contar
silêncio
para encomodar inquietos
essas vozes
que ficam gravadas na memória
e perturbam a mente