Me entorpeço nesta canção
que funde os sentidos e a mente
vários olhares fixos
mãos hábeis que montam e desmontam
peças, quebra cabeças
rotinas
e esteiras que não param
surgem piramides quadradas de caixas sobrepostas
sons de vozes misturadas aos rangidos
passos de caminhos desencontrados
rodas sem rumo
dia após dia
com frases que se perdem nas ordens
perdas e ganhos
lucros e faltas
em horas que se passam
ponteiros rastejantes dos ciclos
morteiros punitivos
fugas da visão cansada
e dos sentidos que procuram
mas não acham
ficam sem foco
mas se concentram cegas
objetivos nulos
anulados pelas palavras
ações adversas
dispersas no vácuo
perdidas no limbo da solidão mental
e nos versos da poesia rabiscada
não na folha branca
mas na tela negra viciante
pede palavras
que não param de inundar as teclas
os dedos
e o continuidade dos pensamentos
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