O ar do outono é único
invade as narinas
oxigena o cérebro
traz a tona à mente
lembranças
foram tantos outonos
e a primeira lua
que cresce e aparece
na companhia de sua estrela
foge do horizonte vermelho
e mergulha no azul
que aos poucos escurece
na dança do cair da tarde
nuvens molduram um quadro diário
e brincam
hora são coelhos, hora são dragões
basta imaginar
com os pés no chão
sente-se o perfume dos tempos
se anuncia de novo
como cada estrela que vem brincar
como cada aluno que chega
para aprender com as palavras
ou com os ares que se percebem
pessoas que conversam
vidas que não olham para o céu
não sentem o ar
não vivem
rastejam seus dias de outono
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