hoje caminhamos
amanhã voaremos
vendo as nuvens se transformar
de repente
um coelho vira dragão
o coração insiste em bater
as asas deslizam sob o céu de algodão
azul como as lágrimas
embebecidas no vermelho do copo
frio como o gelo
amargo de íncio
doce depois do segundo gole.
E vejam como os insetos se atrevem
brincam com a luz que me cega
mergulham nas piscinas sobre a mesa
se entopem de nossos restos
com as sobras de palavras
dos rabiscos que nunca funcionaram
cantaremos então para a chuva
àgua que transborda o copo
sedento de belas canções
e de céus azuis
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