segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Amanhã

Um dia quis brincar com a manhã
mas o amanhã ainda não chegou
caminhei sozinho sob meu boné azul
e o sol mesmo da manhã não me ofuscava
já ouvi sons de carros que se perdiam apressados
e nos trilhos de metal forjado se passavam vidas
das janelas as paredes passavam em relâmpagos
e fugi na multidão
então os passos ganharam flores nos caminhos
e meus sapatos se manchavam com suas cores
que as arvores derramavam nas primaveras
o sol hoje se reflete nas minhas lentes
que melhora a visão dos meus passos
o amanhã fica mais distante
como as palavras que vagam de meu papel
perseguidas pela caneta que nunca fica sem tinta
na poesia que de mim surgirá
assim vou acordar de cada insônia
entre sonhos e delírios cantantes
como o zumbido que não foge de meus ouvidos
e a minha música que encanta os corpos
na melodia tenaz com sua notas quebradas
de cada início do disco que não tem fim



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